Cursos de Administração devem incluir Responsabilidade Social no Currículo

A Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (ANGRAD) vai propor ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a obrigatoriedade do ensino de responsabilidade social em todos os cursos de graduação em Administração do Brasil. O anúncio foi feito na última quinta-feira (19) pelo presidente da entidade, Antônio de Araújo Freitas Júnior, na reunião da Comissão de Educação do Comitê Brasileiro do Pacto Global, no Global Forum América Latina, em Curitiba (PR). A próxima reunião do CNE está agendada para o dia 30 de junho, em Brasília (DF).

Podemos inserir nas diretrizes curriculares tornando obrigatório o ensino de responsabilidade social. Cada escola poderá escolher o seu programa. O objetivo é sinalizar de alguma forma no nível de graduação o ensino da responsabilidade social“, afirmou Freitas, que é também diretor executivo da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O ensino de responsabilidade social deveria permear todo o nível de ensino, desde o mais básico chegando à pós-graduação, onde poderiam ser desenvolvidas pesquisas sobre o tema“, completou. Na visão do professor, o diálogo que está sendo promovido no Global Forum é necessário. “Mas é preciso também tomar decisões concretas como a definição das diretrizes curriculares”, disse.

Outra forma, segundo ele, é inserir no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), promovido pelo Ministério da Educação para avaliar os cursos de graduação, questões que envolvam responsabilidade social. “A universidade brasileira tem um poder de adaptação muito rápido, mas ela precisa ser direcionada. Como todas as escolas querem ser bem avaliadas no Enade, elas adequarão suas grades curriculares”, acredita, acrescentando que o Enade virou uma espécie de diretriz curricular. “Basta colocar duas questões de responsabilidade social no Enade para que todas as escolas comecem a se movimentar para incluir a disciplina em seus currículos”, acredita. “É possível inserir também no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)”, complementou.

De acordo com o presidente da ANGRAD, cada vez mais os alunos buscam esta disciplina nos cursos de Administração. “Empresas exportadoras exigem responsabilidade social, como também as listadas em bolsas de valores”, informa. Segundo Freitas, responsabilidade social é um bom investimento. “Acaba sendo extremamente lucrativo. Basicamente significa ser eficiente, não destruir o meio ambiente e respeitar a individualidade das pessoas. Isso é bom para a empresa”, concluiu.

Para um dos coordenadores da Comissão de Educação do Comitê Brasileiro do Pacto Global, professor Norman de Paula Arruda Filho, a iniciativa é muito importante. “É necessária, mas não é suficiente. Não basta a obrigatoriedade da inclusão de uma disciplina. Tão importante quanto isso é a necessidade de sensibilizar professores, coordenadores e alunos sobre esta visão e fazer com que isso seja um processo de aprendizagem”, opinou ele, que é superintendente do ISAE/FGV.

Segundo ele, é fundamental formar uma geração que pense de uma maneira diferente. “É impossível continuar formando empresários e líderes ainda no velho modelo. Os desafios de hoje exigem um novo tipo de formação”, considerou.

Na reunião da Comissão de Educação foram apresentadas as normas definidas pelas Nações Unidas para implantar conhecimento em responsabilidade social em todos os tipos de escola mas, especialmente, nos cursos de graduação em Administração. “O objetivo é transformá-las em realidade nas escolas brasileiras”, afirmou Arruda. Participaram da reunião cerca de 50 representantes de universidade de todo o País.

Promovido pelo Sistema Fiep, através da Unindus e do Sesi, O Global Forum está reunindo mais de 1.200 pessoas entre empresários, acadêmicos e representantes do poder público e da sociedade civil. O evento encerra nesta sexta-feira (20).

Serviço
ANGRAD
Fone: (21) 2223-1411  /  8173-1266

ISAE/FGV
Fone: (41) 3321-7860 / 8852-0934

Deixe uma resposta